Friday, June 15, 2018

O NOME DA FERA É CRISTIANO RONALDO



O jogo mais esperado desta primeira rodada da Copa do Mundo não decepcionou: Portugal e Espanha fizeram um clássico muito disputado no Estádio Olímpico de Sochi. Logo aos três minutos, numa infantilidade de Nacho, que chutou sem necessidade Cristiano Ronaldo, o juiz marcou pênalti acertadamente. Implacável o atacante português marcou e converteu com precisão. A Espanha custou um pouco a reagir, mas, paulatinamente foi impondo seu jogo de toques, sob o comando de Iniesta, até que, aos 23 minutos, Diego Costa, de forma faltosa,  levou a melhor na disputa de bola com Pepe, porém, o juiz não deu. E o centroavante, na frente de dois marcadores, conseguiu encontrar espaço para finalizar no canto direito de Rui Patricio empatando o jogo.
Tudo indicava que a Espanha iria mudar o rumo do jogo, pois, impunha o seu ritmo e chegou a pregar um susto na torcida portuguesa com uma bola que bateu no travessão, e caiu em cima da linha, num chute de  Isco. Porém, Cristiano Ronaldo, depois de receber de Gonçalo Guedes, aos 43 minutos, desempatou o jogo com um chute em que houve uma falha grave do goleiro De Gea. Para muitos um frangaço, de vez que a bola esteve nas suas mãos antes de escapar para as redes. E terminou 2x1 para Portugal o primeiro tempo.
A Espanha voltou com tudo para a etapa complementar. E tocando a bola, incomodando a defesa portuguesa chegou ao empate aos nove minutos. Numa cobrança de falta, David Silva levantou na área e Busquets completou de cabeça para o meio. Lá o Diego Costa, com o faro e a perícia de artilheiro, mandou a bola para o fundo das redes. Portugal sentiu o baque. E o time de
 Hierro soube aproveitar o momento  e virou o jogo três minutos depois.  O ataque espanhol fez uma jogada pela esquerda e a bola, desviada na zaga, sobrou limpa para Nacho, que, num sem pulo, tocou a bola com efeito e comemorou ao vê-la tocar na trave antes de entrar. A Espanha parecia ter o jogo sobre controle valorizando a posse de bola até que, perto da área, Piquet fez uma falta em Cristiano Ronaldo, aos 42 minutos. Ele mesmo cobrou com perfeição marcando seu terceiro gol na partida e se tornando, até agora, o artilheiro da Copa e o nome da partida. O jogo ficou mais emocionante, mas, agora, era Portugal quem buscava mais o gol. Mesmo com quatro minutos de compensação o placar não se mexeu mais. Numa avaliação isenta a Espanha foi melhor, no entanto, Cristiano Ronaldo equilibrou a balança. 
Cristiano Ronaldo, de fato, fez história ao ser o único jogador de Portugal a disputar quatro edições da Copa do Mundo. Com os gols que fez se igualou a Pelé, Klose e Seeler com gols em quatro Copas do Mundo. E também é o primeiro a marcar em oitos torneios internacionais consecutivos. Fez comemoração de cabra, mas, está mais para lobo. E um lobo feroz faminto por gols.



URUGUAI VENCE NO FIM DE UMA PARTIDA MODORRENTA



A partida entre Uruguai e Egito não foi um grande jogo. Foi, de fato, um jogo muito ruim. De uma só expectativa: quando o Uruguai vai marcar. E, no primeiro tempo, teve uma chance rara, aos 22 minutos, quando Luiz Suarez teve tudo para marcar. Não era o dia dele. Como comprovou mais duas vezes, no segundo tempo, quando teve ótimas oportunidades desperdiçadas. Bom para o goleiro  El Shenawy, que foi o grande nome do jogo. Cavani, com passes precisos, e chutes de primeira foi mesmo quem se destacou na equipe celeste. O Egito sem o seu grande nome, Salah, no banco, a rigor, só uma vez, num chute de longa distância ofereceu algum perigo.
Apesar do controle do jogo e da supremacia indiscutível, o Uruguai não fez uma boa partida. Esteve longe dos seus melhores momentos. A ironia é que, desde 1970, o não vencia na partida de estreia de uma Copa do Mundo. O gol de José Giménez contra o Egito, no penúltimo minuto do tempo regulamentar, colocou fim ao que já se considerava uma "maldição" celeste. Mas, de fato, o esquadrão celeste ficou devendo. Muitas vezes, e vamos torcer para que seja isto, um adversário de qualidade baixa, torna o desempenho das equipes nivelado por baixo. A impressão, porém, que deixou foi mesmo de falta de entrosamento, de articulação. Mesmo assim merecia vencer. Menos por seus méritos e mais pela indiscutível superioridade técnica de seus jogadores.

Thursday, June 14, 2018

A RÚSSIA SOBROU NO PRIMEIRO JOGO DO MUNDIAL



No primeiro confronto do Mundial a Rússia, num jogo marcado por um futebol sofrível, rompeu, pelo menos temporariamente, o pessimismo que envolvia o seu time ao aplicar uma goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita. Sorte do técnico Stanislav Cherchesov, que, de uma hora para a outra, teve sua cotação subindo no conceito de seus compatriotas, que o apontavam como o responsável pela má fase da equipe. Com duas substituições fundamentais para a construção do resultado ao colocar em campo Cheryshev, quando Dzagoev precisou sair por conta de lesão - e Dzyuba, que foram responsáveis por três gols dos russos. De quebra também ficou com o galardão de ter aplicado a maior goleada de uma Copa desde que passou a ser disputada com uma só partida inicial.
A Rússia, considerando o placar, não poderia ter começado melhor. Porém, a verdade é que a Arábia Saudita foi, é, um time fraco. Até toca a bola, mas, sem objetividade. No começo do jogo já mostrava sua fragilidade, embora ainda desse sinais de que poderia se constituir em obstáculo. Ilusão que só durou até quando, depois da cobrança de um escanteio, a zaga afastou, e a  bola voltou para a Rússia. Golovin pegou na entrada da área e cruzou para Gazinskiy, que subiu, desviando de testa, no canto para abrir o placar. Foi o primeiro gol da Copa do Mundo de 2018 e o canto de cisne da Arábia que, mesmo com muito maior posse de bola, não avançava em direção ao gol russo. Os russos, quando tomavam a bola, eram muito mais eficazes tanto que não só ameaçaram mais como fizeram o segundo gol numa bela jogada de Cheryshev, após limpar a marcação, aos 42' do 1º tempo. Se já estava confortável com um gol apenas, daí, para a frente o time russo se refestelou. No 2º tempo, com o time saudita sem o mesmo ímpeto inicial, somente controlou o jogo e os outros gols saíram como uma decorrência da fraqueza do adversário. A Rússia aproveitou a oportunidade e começa um mundial com uma chocolotada que fez a alegria de sua torcida. Muitos gols e festa. Um começo melhor seria impossível.

Sunday, July 13, 2014

Alemanha é campeã do mundo pela quarta vez


Venceu merecidamente o melhor time. E foi somente a garra, a capacidade de se superar do time argentino que levou esta final a ser uma final emocionante. Pelo que fizeram na Copa do Mundo, de fato, esta final deveria ter sido decidida entre Alemanha e Holanda. Os argentinos, embora jamais vão reconhecer isto, tomaram pela dedicação,esforço e sorte a vez da Holanda tentar mais uma vez. E diante da Alemanha proporcionaram uma partida digna de uma final de Copa não somente levando o seu desfecho para a prorrogação como tendo, mesmo sendo um time menos preparado, as melhores oportunidades de ter, no mínimo, feito um gol na Alemanha e complicado ou, por artes do destino, até ter feito uma história diferente. O fato é que as melhores oportunidades de gol foram desperdiçadas por Higuain, numa bola mal atrasada, e por Palacio, quando a bola sobrou limpa para ele na entrada da área. Não fizeram e, no fim da prorrogação, Göetze teve a oportunidade e fez.
A Alemanha encontrou muita dificuldade para vencer uma Argentina bem postada na defesa e disposta contra-atacar com o talento de Lionel Messi. E jogadores de sua defesa como Mascherano, Demichelis, Garay, Zabaleta, Rojo e Biglia fizeram das tripas coração para que a bola não chegasse limpa para um chute dos alemães. Os argentinos se postavam atrás esperando uma oportunidade e, muitas vezes, quase a tiveram. Foi a paciência de um time melhor, com mais iniciativa de jogo e mais posse de bola, pois, a Alemanha teve 53% da posse de bola no final, mas, em partes do jogo chegou a ter 60%, contra um time que era extremamente contundente no ataque tanto que os dois times empataram em número de finalizações. A diferença foi que Gotze aproveitou um cruzamento de Schurrle aos sete minutos no segundo tempo da prorrogação, matando a bola no peito e batendo cruzado para acabar com a festa dos argentinos no Maracanã.

Que melhor final poderia existir para uma Copa que os deuses haviam previsto que seria mesmo alemã? Que Neuer ganhasse a “Luva de Ouro”, como o melhor na sua posição era um resultado natural e merecido. Mas, não se pode falar deste time sem destacar sua atuação coletiva, sua capacidade de, mesmo nos piores momentos, se comportar como  um conjunto. Não há também como não se louvar dois gigantes como foram nesta Copa Lahm e Schweinsteiger, mas, jogaram muito também Kroos, Hummels, Höwedes, , Kedira, Schürrle, Müller e Ozil. E, como técnico também ganha, ou perde, jogo, não se pode esquecer do trabalho de Joachim Low. A Alemanha, portanto, ganhou seu tetracampeonato por ser um time mais organizado, mais maduro e que, no fim, aproveitou a oportunidade que teve. Foi o grande time desta Copa e, por tal razão, ganhou com justiça e bom futebol a Copa do Mundo de 2014. 

Saturday, July 12, 2014

Uma despedida melancólica


Para coroar uma participação vexaminosa do Brasil, na disputa pelo terceiro lugar, antes dos dois minutos, ao fim de uma tabela de Van Persie  e Robben, este foi  agarrado perto da área por Thiago Silva. E para uma partida melancólica nada melhor que um árbitro de igual teor, daí ter dado pênalti, que Van Persie, sem perdão, converteu. Até que, de forma atabalhoada, o time brasileiro tentou fazer alguma coisa, mas, o que conseguiu foi provar que não era mesmo seu dia, pois, até David Luiz voltando, de cabeça, conseguiu ajeitar um cruzamento de De Guzmán, para que, dentro da área, sem marcação, Blind não tivesse problema em fazer 2 a 0 aos 16 minutos. Se o jogo estava ruim, então, no primeiro tempo conseguiu ficar pior sem que houvesse uma coordenação sequer razoável dos brasileiros em campo, enquanto, satisfeitos, os holandeses tocavam a bola, marcavam e esperavam uma oportunidade para fazer outro. A torcida bem que tentava apoiar, mas, cansada, vez por outra, ensaiavam uma vaia, talvez, para espantar o tédio da partida ruim.  
No segundo tempo até que Felipão quis dar mais dinamismo ao time, trocou Luiz Gustavo por Fernandinho. O volante, todavia, só aparecia cometendo faltas. Fez mais uma tentativa com Hernanes no lugar de Paulinho, e reforçou a capacidade de chutar as pernas dos adversários. Na única bola que poderia ter feito um gol Ramires, que foi uma sombra de jogador nesta Copa, conseguiu chutar uma bola que, a rigor, foi a única chance de gol construída pelo time. Depois foi substituído por Hulk que ficou verde de correr sem efetividade, pois, o único chute que deu para o gol esteve longe de ameaçar o gol de Cilessen, um espectador privilegiado que somente pegou uma bola de uma falta batida por David Luiz no centro de sua meta. Nem mesmo o cansaço de um adversário que jogou 30 minutos de prorrogação um dia após o vexame verde e amarelo fez qualquer diferença. Só Robbens se destacava pela capacidade de criar problemas e Oscar que, mais pelo esforço e a criatividade, dava trabalho à marcação bem postada. O Brasil se arrastava com mais posse de bola inútil em campo sem produzir nenhuma ameaça real ao gol holandês.  No último minuto Janmaat recebeu de Robben pela direita e cruzou para conclusão de Wijnaldum para dar o golpe de misericórdia numa participação lamentável da seleção brasileira. Era o terceiro gol, e o décimo em duas partidas que Júlio César tomava, e, diga-se que este foi defensável, para coroar o final previsível de uma despedida melancólica da Copa do Mundo de 2104 para a seleção brasileira.

Thursday, July 10, 2014

Depois de 24 anos Argentina está na final da Copa



Foi uma partida difícil, típica de decisões, emocional sim, porém, de um futebol muito fraco, com os dois times marcando duramente e com poucas chances de gol. Messi e Robbens, os dois grandes nomes das equipes, por isto mesmo, tiveram atuações abaixo de suas possibilidades, mas, no final, a Argentina garantiu a vaga derrotando a Holanda nos pênaltis. E, mais uma vez, com surpresas, de vez que a estrela da tarde acabou sendo, o goleiro Romero, que defendeu duas cobranças, por sinal, mal feitas. Apesar do primeiro tempo ter sido de muito poucas oportunidades quem teve as melhores foi a Argentina logo, aos 13 minutos, com uma cobrança de falta de Messi bem defendida por Cillessen. Embora os holandeses tivessem um pouco mais de posse de bola não conseguiam criar em face da marcação imposta pelos argentinos que, postados atrás, não deram chance para a melhor arma laranja, Robben, que não teve espaço para aparecer. E, com isto, a outra oportunidade que apareceu foi numa cobrança de escanteio, aos 23 minutos, quando Garay quase marca, mas, a bola subiu demais. E foi só mesmo. Muito pouco os dois times criaram.
No segundo tempo, apesar da Holanda mudar e procurar mais o jogo, a partida permaneceu muito presa no meio de campo. Só aos 29 minutos, numa escapada, Pérez fez um ótimo cruzamento para Higuaín que, na pequena área, esticou-se para tocar para o gol e acertou a rede, pelo lado de fora, assustando os holandeses. Se bem que a Argentina ameaçasse mais, com jogadas mais contundentes, foi a Holanda quem, aos 45 minutos, teve a melhor oportunidade de liquidar a partida. Robben recebeu um passe de Sneijder, entrou na área driblando dois zagueiros, dando uma caneta num, e, na entrada da pequena área, quando bateu para o gol apareceu o pé salvador de Mascherano para desviar a bola. Veio a inevitável prorrogação. E, contrariando as expectativas, de vez que as substituições argentinas somente foram feitas no final do tempo normal, a Holanda voltou assumindo o jogo e acionando mais Robben ainda que com muitos erros de passes e finalizações. E, por ironia, a Argentina teve na cabeça de . Palacios recebendo um lançamento, a grande chance, mas, este cabeceou fraco nas mãos de  Cillessen. Já era um sintoma do cansaço geral e, como os erros e passes errados, de ambos os lados, persistiram, outra vez uma semifinal de Copa terminou sem gols.

Nos pênaltis, logo no primeiro, a estrela de Romero brilhou quando defendeu o pênalti, cobrado por Vlaar, e, em seguida, também o segundo, batido por Sneijder. Como os argentinos, todos, acertaram suas cobranças, a final contra a Alemanha ficou definida. Assim o Maracanã irá assistir a reedição da final de 1990, quando ambos se enfrentaram e, naquela ocasião, a Alemanha ganhou por 1x0. Passado é história. O jogo de domingo ainda será escrito pelas duas equipes e não tem favorito. De concreto é que, depois de 24 anos, a Argentina volta a disputar uma final de Copa do Mundo.  

Tuesday, July 08, 2014

Uma festa triunfal da Alemanha no Mineirão


Não, meus amigos, eu não estou triste. Desagradavelmente surpreendido, mas, não triste. Como analista pensava ser muito difícil o Brasil ganhar da Alemanha, mas, como torcedor esperava que os deuses do futebol acordassem o talento que Oscar ou Fred possuem, que, de repente, como acontece tantas vezes, o time se encontrasse e se reconhecesse dentro de campo. Pedi que os deuses acordassem nossos craques. Eles, no entanto, são caprichosos e resolveram acordar a inspiração alemã transformando o que poderia ter sido um jogo numa ópera burlesca, numa tragédia cômica em que um time, um time só jogava e fazia o que bem desejava em campo. Sejamos francos: a seleção brasileira esteve ausente do Mineirão.
Foi, e isto só merece aplausos, uma exibição de gala de 20 minutos da seleção alemã. Dos 10 aos 29 minutos fizeram, nada mais, nada menos que cinco gols! Depois do terceiro poderiam ter retirado o time do Brasil do gramado que não faria diferença. O jogo poderia ter terminado 8X0, mas, terminou 7x1! O que importa isto antes ou agora? Estava escrito, e nenhum dos adivinhos mais conhecidos e mais afamados, previu ou deu indícios de que sofreríamos uma goleada histórica, um chocolate acachapante, monumental. Diante de um resultado assim não há como buscar culpados. Poderia ser o Felipão que não viu a periculosidade e o jogo compacto do adversário, sua capacidade de, com rapidez e precisão, liquidar uma partida. Ou mesmo Parreira que colocou nossa mão na taça sem que jogássemos o mínimo para merecê-la. Isto, porém, seria uma injustiça colossal. Estava escrito que pagaríamos pelo nosso excesso de confiança, que não poderíamos fazer, como fizemos, um jogo perigosamente para a frente e ofensivo contra uma equipe tida como melhor e mais preparada. Todavia, agora, que a partida terminou somos profetas do passado, um mero esquadrinhador de uma partida que, para nós, brasileiros, deve ser lembrada como a vitória de um time melhor e mais preparado sobre a pretensão vaidosa de ganhar sem uma equipe competitiva e apenas com o talento e a raça. A vitória da Alemanha foi a vitória de quem, além de se preparar, jogou nos erros do adversário e jogou uma semifinal de Copa do Mundo como se deve jogar: com aplicação e vontade de vencer.

Repito que não estou triste. E nem deve ficar triste quem gosta de futebol, do futebol brasileiro, principalmente. Assistimos a vitória de quem jogou melhor e, ao mesmo tempo, de forma esmagadora acabou o tempo de pensar que podemos ser melhores sem treinamento, sem tática, sem esforço e sem organização. Para o Brasil é bom, ótimo que a derrota tenha sido tão humilhante, tão vexatória. Só assim iremos mudar a gestão do nosso futebol. Só assim aprenderemos que o talento somente não basta. É preciso organização, tática, suor e respeito aos outros times. A Alemanha mostrou tudo isto é merece os nossos aplausos. Nós temos que absorver a lição e refazer o nosso futebol. Se não fizermos isto, certamente, outras humilhações nos serão ainda impostas. Não vale a pena chorar pelo trabalho que não foi feito. Precisamos voltar a ter organização no futebol e formar jogadores na base, nos nossos times para voltar aos bons tempos em que jogar contra as melhores seleções não possa ser uma demonstração do quanto estamos despreparados para ganhar uma Copa. 

E se os sonolentos despertarem?


Meus amigos, ontem, vi uma comparação entre os jogadores da Alemanha e do Brasil, feita num programa de esportes de televisão, em que meia dúzia de comentaristas, e bons comentaristas, na sua maioria, escolheram, nada mais, nada menos, que sete alemães como melhores que os nossos jogadores. Eles colocaram um pouco de gelo na comparação afirmando que se tratava do que jogaram na atual Copa ou no estágio em que estão os jogadores. Não vou discutir critérios ainda mais que também relativizaram dizendo que, hoje, no jogo tudo pode ser diferente. De fato, cada caso é um caso.
Na minha opinião tudo pode acontecer. Embora o time alemão pareça ser um time mais equilibrado não fez um grande mundial. Pode-se dizer a seu favor que ninguém fez, mas, convenhamos que podiam ter levado um chocolate de Gana se os africanos tivessem uma pontaria um pouco melhor e, mesmo diante dos franceses, foi um desempenho pífio como havia sido a vitória diante dos EUA por um magro 1x0. Sem contar que, contra a Argélia, não fosse a excepcional partida de Neuer teriam voltado para casa. Isto, é claro, do lado deles. Do nosso também não temos um retrospecto de regularidade. E padecemos, e como padecemos, da falta de um meio de campo. Tudo está acontecendo de bolas paradas ou por ligação direta. Nós temos resolvido os jogos pelo talento de um ou outro jogador. E, agora, sem Neymar, que era para os adversários o mais preocupante deles, não há dúvidas de que ficamos mais fracos. Porém, não somos tão fracos assim. Basta lembrar que não foi Neymar quem resolveu a última partida. Espantosamente foram Thiago Silva e David Luiz. Ou seja, resolvemos um jogo difícil com gols de zagueiros. Bem, eles também, contra a França, Hummels salvou a pátria.

Bem, mas, o que esperar deste Brasil e Alemanha? Espero um jogo tenso, um jogo disputado, difícil. Porém, não sei qual a razão, para considerar a Alemanha favorita. Para mim, este jogo, como este mundial, apesar de ter dado, no fim a lógica, é de um futebol medíocre, no sentido de regular, morno mesmo. Não houve uma grande equipe. Nem Neymar, nem Messi, nem mesmo o melhor de todos até agora, o holandês Robben, fizeram um grande mundial. Quem brilhou foi David Luiz e os goleiros. Os gols, em profusão, encobriram o futebol ruim.  E quem está como artilheiro? James da Colômbia. Sinceramente, é um bom jogador? É. Mas, prefiro, por exemplo, o Oscar. O problema desta Copa, em termos de futebol, é que não deixará grandes lembranças. Que lembranças, por exemplo, se tem da Copa de 1966 ou das copas dos anos 74 ou 78? Não me recordo de nada. Nem ninguém se recorda. Mas, todo mundo se recorda de times perdedores como a seleção holandesa de Cruyff ou a seleção brasileira de 82. A razão é simples: quem faz diferença são os craques. E o Brasil ainda tem alguns nesta seleção. O problema é que estão sonolentos, dormindo em campo. E se eles acordarem? Se os deuses tiverem escrito que, hoje, as coisas darão certo? Nada sei dos desejos dos deuses do futebol, mas, como torcedor só espero que soprem no ouvido ou deem umas batidas de mãos para que nossos craques acordem. Se estiverem despertos nem Neymar fará falta. É evidente que se trata de uma declaração de torcedor, mas, prezados amigos, de que adianta o futebol sem torcida, sem emoção, sem o imprevisto que o cerca? Hoje só precisamos que a incerteza que cerca todo jogo se transforme num dia para ser lembrado. E, num dia assim, tudo pode acontecer. Até 1x0 parecer goleada. 

Sunday, July 06, 2014

Holanda vence Costa Rica só nos pênaltis


O jogo não foi muito diferente dos meus prognósticos na medida em que sempre apostei em que a Holanda venceria. É uma equipe muito melhor e, como seria de se esperar, teve o domínio completo do jogo. O problema é que isto não adianta nada quando no tempo regulamentar e na prorrogação não se consegue fazer um golzinho sequer. Um jogo sem gols é, sem dúvida, uma comprovação de que não chegou a ser o que dele se esperava. Ainda mais com 120 minutos de tempo.  O mérito de Costa Rica foi o de saber se fechar lá atrás e impedir a equipe holandesa de encontrar espaços. Se não  conseguiu totalmente nas bolas em que os atacantes holandeses chegaram lá encontraram uma muralha no goleiro Keylor Navas. No primeiro tempo salvou sua equipe umas três ou quatro vezes.
O jogo em nada foi diferente no segundo tempo. Era um ataque contra uma defesa com a Holanda buscando a classificação da forma que podia e esbarrando nas mãos de Navas. Robben continuou a ser o jogador mais ativo da Holanda, comandando os ataques de perigo, mas, a bola insistia em não entrar. Louis van Gaal tirou Depay, cansado, e colocando o atacante Lens, para ter mais presença na área e um jogo aéreo mais forte, mas, quem ameaçou mesmo foi Sneijder, que quase faz o seu com a bola, aos 37 minutos, numa cobrança de falta com perfeição, caprichosamente acertando a trave. Navas ainda salvou um chute de Van Persie, que se livrou da marcação e atirou forte e, para completar, teve sorte. O mesmo Van Persie recebeu ótimo cruzamento de Blind e, na hora de empurrar para as redes, furou a bola, aos 41 minutos. Em outro lance de Van Persie, logo em seguida, o zagueiro Tejeda salvou levando a partida para a prorrogação.

A Holanda sentiu tanto que deu mais espaços para Costa Rica que teve o lance que procurou o jogo todo, aos 10 minutos do segundo tempo do tempo extra, quando Ureña, na entrada da área, driblou a marcação e ficou frente a frente a com Cilessen, que fez uma grande defesa salvando a Holanda. Depois deste susto somente, no último minuto, Sneijder acertaria uma bola na trave. A grande surpresa, na cobrança de pênaltis, veio da substituição, por Van Gaal do Cilessen, para colocar o reserva Tim Krul, goleiro do Newcastle. E Krul pegou as cobranças de Ruiz e Umaña. Já Van Persie, Robben, Sneijder e Kuyt converteram seus chutes. Não teve Navas mais que desse jeito. A Holanda, de forma sofrida e cansativa, está na semifinal contra a Argentina. 

Argentina fez o dever de casa


A Argentina está na semifinal. E, mesmo tendo feito o seu melhor jogo, não jogou nem perto do que se poderia esperar de um time com grandes jogadores. É certo também que fez o suficiente para dominar a Bélgica. Se bem que foi um domínio não isento de sustos. No fim, mesmo que se postando melhor no jogo, e ajudado por ter aberto o placar aos 7 minutos, numa jogada em que Messi passou para Di Maria e este serviu a Higuaín, que bateu de primeira lá dentro, bem no canto direito de Courtois, foi uma vitória sofrida com os argentinos sofrendo pressão até o apito final. A Bélgica, depois do gol até que tentou sair para o jogo, mas, Hazard esteve distante de jogar bem e não criava nada no meio de campo. Só sobrou De Bruyne que testou o goleiro Romero chutando de fora da área, aos 25 minutos, porém, este espalmou. E, logo depois, Di Maria, num corte para o meio, tentou chutar a bola e foi travado por Kompany. Com problema muscular deixou o gramado, substituído por Enzo Perez. E jogo terminou o primeiro tempo no mesmo rame-rame sendo que só em bolas paradas ofereceu algum perigo.

Ainda que quisesse tentar pressionar os belgas paravam na marcação bem feita dos argentinos. E não criavam nada, daí que, aos 9 minutos, foi novamente Higuain, numa arrancada em que chutou na trave quem quase faz o segundo gol. Para tentar alguma coisa o técnico belga colocou Lukaku, Mertens e Chadli. Com a Argentina se defendendo bem nada aconteceu e até para chuveirinho se apelou. Aos 35 minutos Sabella optou por defender a vantagem e trocou Higuaín por Fernando Gago. A Argentina só pensava em deixar o tempo passar segurando a bola.  No contra-ataque quase que Messi deixou sua marca, mas, Courtois levou a melhor defendendo. Depois foi somente esperar o final e comemorar. Não há vitória feia. E esta que recoloca a Argentina entre os melhores quatro times do mundo, como não poderia deixar de ser, foi recebida com festas.